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Cabeço de Vide
é uma
freguesia
portuguesa do
concelho
de
Fronteira,
com 65,70 km² de área e 1.133 habitantes (2001). Densidade: 17,2 hab/km².
Foi
vila
e sede de concelho entre 1512 e 1855. Era constituído apenas pela
freguesia da sede e tinha, em 1801, 1.108 habitantes. Após as
primeiras reformas administrativas do liberalismo, anexou o concelho
de Alter Pedroso. Tinha, em 1849, 1.362 habitantes.
História
Distando 10 Km da sede do concelho, Cabeço de Vide situa-se na
encosta meridional de um monte, estendendo-se até à planície e aí
formando um rossio que é tido como o mais amplo entre o Tejo e o
Guadiana.
Há
quem atribua aos romanos a fundação da primeira povoação, mas
sabe-se que todo o território da freguesia foi alvo de ocupação
humana desde o Neolítico. Comprovam-no os diversos achados
arqueológicos aqui encontrados ao longo dos tempos: machados, facas
de pedra lascada e polida e numerosas antas.
Os
romanos devem ter permanecido aqui durante vários séculos. Pelo
actual território da freguesia passava uma estrada subsidiária da
importante via militar romana que ligava
Lisboa
a Mérida. Esta via servia as termas da Sulfúrea, onde foram
encontradas ruínas de um balneário e muitos outros vestígios
arqueológicos datados da época romana. Um pouco por toda a freguesia
foram encontrados abundantes testemunhos de uma forte actividade
romana.
Segundo a tradição a primeira fundação da localidade foi no sítio de
Pombal.
"Havia uma povoação onde, por ocasião de uma batalha, ficaram por
enterrar muitos mortos do que resultou uma peste, alguns feridos
subiram ao cabeço do outeiro e assim que respiraram os ares puros
logo recuperaram a saúde, vendo isto, os que ficaram em baixo foram
subindo ao alto do monte e lhe chamaram dali diante Cabeço de Vida e
pelo tempo em diante Cabeço de Vide."
No
ano de 1160, D. Afonso Henriques conquistou a povoação que foi
retomada e destruída pelos árabes em 1190. Alguns anos depois foi
reconstruída no alto do Cabeço para melhor se defender dos inimigos.
Foi então levantado, ou reconstruído, um castelo e edificada uma
cerca muralhada em torno da povoação.
No
séc. XVI, Cabeço de Vide foi doada a um dos mais ilustres homens de
armas e célebre Diogo de Azambuja. Este século foi época de ouro da
vila que começou, em 1498, com a fundação da Santa Casa da
Misericórdia por D. Leonor. Em 1512, D. Manuel I concede novo foral
a Cabeço de Vide.
O
declínio da vila começou durante as campanhas da Restauração que lhe
arruinaram as casas, as muralhas e o castelo. Depois de vários anos
negros na vida desta vila, esta deixa de ser concelho a 24 de
Outubro de 1932, ficando integrada no concelho de
Alter do Chão
até 21 de Dezembro de 1932, data em que transitou para o concelho de
Fronteira.
Vários foram os nobres que ocuparam cargos na Câmara de Cabeço de
Vide, dos quais se destacam alguns membros da família Vaz de Camões.
Os seus descendentes mantiveram-se por aqui por mais dois
séculos.Sabe-se que pertenciam à baixa nobreza, que foram
funcionários da Câmara ou agricultores numa propriedade, ainda hoje,
designada por "Monte de Camões". Esta família habitava onde se situa
agora o prédio nº 35 da Rua de Avis.
Heráldica
O
Brasão, prerrogorativa a que a vila de Cabeço de Vide teve direito
como sede de concelho, era constituído por um castelo com três
torres envolvidas por dois fartos ramos de parreira, que nascem do
mesmo tronco. Este brasão, desenhado talvez no século XVI, pretende
explicar a origem do topónimo Cabeço de Vide e a sua fundação junto
ao castelo.
Depois da lei de 1991 sobre o direito heráldico das autarquias, foi
outorgado pela Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos
Portugueses, em 17 de Fevereiro de 1999, um novo ordenamento, onde
se mantiveram as duas vides em orla das armas primitivas,
representativas da segunda parte do topónimo da Vila. As alterações
produzidas realçam e reforçam o aspecto simbólico do brasão da Vila:
a ponta do escudo é ocupada por um cômoro, representando o Cabeço
correspondente à primeira parte do topónimo da Vila; o castelo é
substituído por uma fonte alusivo à existência e à significância das
Termas
Sulfúrea.
Património
Foram vários os povos que ocuparam esta região deixando inúmeros
vestígios da sua presença. A zona de Cabeço de Vide, por ser rica de
água, durante todo o ano, nas Ribeiras de Vide e do Vidigão, terá
atraído os povos sedentários do Neolítico, que aqui se
estabeleceram, solicitados pelos prados verdes das margens das
ribeiras e pela abundância de caça que a charneca oferecia. Outros
povos e raças ocuparam esta região em épocas indeterminadas, sem
deixarem rasto visível, como Fenícios e Cartagineses. Há dois mil e
500 anos, os Lusitanos, sucessores dos Celtas, foram senhores destes
espaços, por longos tempos.
Os
Romanos tiveram aqui uma presença fortíssima tendo por aqui ficado
durante 6oo anos, e os vestígios da sua presença encontram-se
amiúde. Nas hortas, quintas, chamadas "vilas", que construíram nas
termas que exploraram junto à Ribeira de Vide onde ergueram um
magnífico balneário, nos fortes e até na reparação que fizeram nas
bases da fortaleza da Vila, do lado Norte. Por aqui passava a famosa
Estrada Legionária que ligava Lisboa a Mérida, passando pelo
balneário das termas, e seguindo paralela à actual estrada nacional.
Os árabes estiveram no sul da península cerca de 780 anos e também
se estabeleceram em Cabeço de Vide como em todo o Alentejo.
No
ano de 1160, D. Afonso Henriques conquista a povoação que é retomada
e destruída pelos árabes em 1190. As batalhas pela posse da vila
vão-se sucedendo e em 1211, Dom Afonso II transfere, os monges
cavaleiros de
Évora
para
Avis
entregando-lhes um feudo enorme que inclui Cabeço de Vide,
incubindo-lhes a defesa do
Alto Alentejo.
Finalmente Dom Sancho II, em 1240 toma de assalto a fortaleza de
Vaiamonte
e expulsa de uma vez os sarracenos do Alto Alentejo. Por esta razão
a vila de Cabeço de Vide possui um Património muito interessante
tanto a nível imobiliário como documental.
Um
magnífico exemplo foi encontrado na Misericórdia de Cabeço de Vide,
em 1990, um pergaminho com o desenho de um mapa dos princípios do
século XVI, onde está representado o Mar Mediterrâneo e as nações,
cidades e portos que então o circundavam. Este documento de alto
valor histórico e cartográfico, é um dos mapas náuticos mais antigos
que se encontram em Portugal, pois pensa-se que seja contemporâneo
da descoberta do caminho marítimo para a Índia.
A
Casa da Câmara
em
Cabeço de Vide,
que pega com a
Torre do Relógio,
foi igualmente destruída na mesma altura pelos castelhanos, sendo
posteriormente reconstituída. É um edifício de duas salas em cada um
dos seus dois pisos. Para as duas salas do rés-do-chão, foi
transferida, em 1758, a Cadeia, depois do edifício próprio, situado
na rua de baixo, rente à Torre, ter ruído.
Os presos entravam na cadeia por um alçapão aberto no piso superior,
descendo por uma escada móvel que logo era retirada. As duas celas,
uma para pessoas do sexo masculino e outra para o sexo feminino, têm
entradas iguais mas independentes. Cada uma tem uma janela
fortemente gradeada, através da qual os amigos e familiares podiam
comunicar com os presos e levar-lhes alimentos ou insultos.
O Largo da Cadeia ou Largo do Pelourinho, foi e é hoje, uma ampla
janela, aberta a Sul e a Poente, dominadora de um horizonte
vastíssimo, visita indispensável do turista que venha a Cabeço de
Vide.
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